Era para sempre e acabou alguns dias atrás.
20:27Ah vai, quem nunca se apaixonou perdidamente por alguém ao ponto de esquecer de si próprio? Quem nunca tomou banho, preparou uma refeição ou andou na rua cantarolando enquanto pensava naquele alguém especial que tem nome e sobrenome? Porque eu já. Ô se já. Eu fiz isso tanto, que tudo o que eu aprendi a fazer direito foi pensar naquele alguém, amar aquele alguém, desejar aquele alguém em todos os segundos do meu dia. Acontece que aquele alguém agora ocupa a mente de outra pessoa enquanto ela vai trabalhar e eu simplesmente preciso reaprender a tomar banho, comer e andar na rua outra vez.
Para o bem querer da imaginação de vocês, não direi o nome do ser que prendeu meu coração por tanto tempo nessa jaulinha imaginária que eu tanto amo, vou apenas chamá-lo de "meu amor eterno" por pura paixão à ironia que beijava seus lábios. Mas vocês podem botar nome, sobrenome e o apelido que vocês desejarem, afinal... Quem nunca?
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Eu me apaixonei na primeira simples conversa que tive com o meu amor eterno, portanto aviso logo que se você não for do tipo que gosta de ler sobre aquelas histórias que parecem ter saído de um filme de romance batido, é melhor sair daqui. Porque sim, foi um filme muito do clichê e mesmo assim eu caí direitinho. Meu amor eterno também não pode prever a queda, foi inevitável para ambas as partes. E eu não acreditaria em uma palavra se quer se me contassem hoje em dia, ainda mais se dissessem que seria eu quem viveria essa grande loucura. É, porque eu sou daquele tipo de menina que sonha com conto de fadas mas sempre espera seu conto de falhas. Hipocrisia, eu sei. Mas acontece que na vida de gente como eu, esses furacões não acontecem.
Só que aconteceram.
E eu estava completamente desprotegida quando me atingiu e levou tudo o que havia de seguro pelos ares. Não me arrependo, não me leve à mal. Eu seria maluca e estaria mentindo se falasse que eu não viveria cada milésimo de segundo outra vez. Viveria sim, mas talvez me preparasse um pouquinho mais para o momento em que meu rosto encostou no solo e o impacto da queda me paralisou inteira. Talvez eu me protegesse só no final e conseguisse impedir essa dor física que eu sinto no coração toda vez que vejo o nome do meu amor eterno acender no visor do meu celular.
- Acho que você estava errada - digitei para a minha melhor amiga, que calhou de também ser a melhor amiga do meu amor. Diabos, não?
Até me permitiria odiar a situação se eu não tivesse encontrado-a quando me apaixonei. Mas encontrei e acreditem, foi a melhor coisa que esse relacionamento trouxe para mim. No meio de muitas felicidades e memórias incríveis, ela de longe foi a melhor. Alessa, minha melhor amiga compartilhada.
- O que? - ela perguntou confusa.
Rolei com os dedos a conversa para baixo, me permitindo refletir sobre meu pequeno desabafo. Acontece que eu já havia deixado de respondê-la há alguns dias, enquanto me afundava na minha doce cama de solteira. O que é engraçado, já que apesar do tempo que havia passado, eu ainda continuava presa na mesma indagação. Meu relacionamento era ou não era um ioiô eterno?
Quando sua melhor amiga vira para você e diz "Relaxa, vocês vão voltar, vocês sempre voltam" você tem vontade de dizer "Não, não vamos, dessa vez é de verdade!" mas não diz. Ou pelo menos, eu não disse. Não disse porque dessa vez, eu realmente sentia percorrer meu corpo a certeza de que sim, dessa vez era de verdade. Mas também porque todas as minhas células lutavam dentro de mim para acreditar que não, não era.
Então apenas deixei lá, sem resposta. Porque aí, quem sabe eu a chamaria em alguns dois dias dizendo "Amiga, você tava certa, a gente voltou". Afinal, minha melhor amiga estava sempre certa.
Mas ela errou nesse único dia, e eu só havia reunido forças suficientes para avisá-la de seu pequeno deslize nesta tarde.
- Sobre meu relacionamento - meus dedos tremiam enquanto eu digitava, ainda sem me permitir acreditar que mais uma vez eu estava nessa situação - Uma hora a corda que segura o ioiô arrebenta.
E arrebenta mesmo. Por isso que eu, quando era pequena, cismava em guardar meu ioiô rosa em uma gaveta cheia de roupas. Eu escondia para que caso meus primos resolvessem brincar com ele, nem se quer o encontrassem. Sempre acreditei que algum dia, de tanto puxar e afastar, a corda simplesmente fosse se desgastar e ele fosse espatifar no chão em mil pedacinhos.
Eu estava certa. Meu ioiô caiu. Meu amor eterno foi quebrado em muitas partes e eu definitivamente não estava pronta para continuar a falar sobre isso com a minha melhor amiga ainda, então só mudamos de assunto. E ela notou, é claro, mas não disse nada, porque é isso que melhores amigas fazem, elas te entendem sem você precisar pedir.
Mas, é óbvio que mudamos de assunto e eu não mudei de página. Atualizava o perfil do meu amor de dois em dois minutos. Logo eu, que sou adepta a ideia de que "o que o coração não vê, o coração não sente". Logo eu, que aflição. Maldito coração que é tão curioso quanto azarado. F5 e poft, tudo o que meu amor faz e fala hoje em dia.
Nem preciso dizer que eu deveria ter desviado da bala perdida que me furou a pele quando vi que meu alguém especial estava seguindo em frente. Eu quase caí da cadeira, juro para vocês. Meu coração deu aqueles duas batidas fortes e tudo ficou lento demais. Ou fiquei eu estática pensando no quanto irá doer quando meu amor virar o amor de outro alguém.
Sempre vira, aceitem. Eu preciso aceitar mais do que qualquer pessoa. Preciso aceitar que esqueci como se segue em frente mas tenho um palpite forte que diz que não é revivendo as memórias e se martirizando com as lembranças novas que meu amor cria a cada segundo sem mim. E ter que aceitar não é fácil, vai por mim.
- Ocupe sua mente - meu amigo me disse, quando chamei-o depois de meses para contar-lhe que o meu para sempre havia acabado alguns dias atrás - Seja forte. Mostre que você está feliz e que também está seguindo em frente. Mesmo que não esteja e não seja o melhor agora, um dia será.
Confesso que parte de mim queria que ele apenas dissesse "Mas vocês são almas gêmeas" e me desse uma borracha que me permitisse apagar todos os meus erros. Mas a minha força de vontade de fazer diferente e a minha imaginação esquisita não o levaram a seguir o script.
- Sim.. eu vou - respondi sentindo meus ombros pesarem como se eu estivesse carregando o peso inteiro de todas as nossas risadas nas minhas costas - Eu vou tentar deletar da minha vida.
E claro, o jeito mais simples de começar isso é deletando de todas as redes sociais existentes no planeta. Mas aí, meu amor curtiu minha foto de perfil e eu me xinguei mentalmente trinta vezes por se quer ter trocado. Quando eu vi, já estava novamente fuxicando sua vida e me perguntando de onde surgiram todas aquelas meninas tão incrivelmente legais.
Eu demorei, mas saí do perfil. Puxei assunto com umas outras três pessoas no chat e me segurei para não chamar a única pessoa que importava ali. Tentei enfiar na minha cabeça oca que estava na hora de aprender a não pensar no meu amor eterno o tempo inteiro e criei um blog.
Pois é, um blog.
E eu sei, as pessoas do meu blog provavelmente vão torcer para eu esquecer desse meu grande amor, mas mal elas sabem que é impossível. E é por isso que nele eu postei o último capítulo do meu incrível conto de falhas. Para que eles não se joguem despreparados como eu e saibam que existiu um adeus, quando eu começar o primeiro capítulo. O momento em que o furacão me tirou do chão. O momento em que vocês, meu caros, vão se apaixonar comigo.
- Você vai me amar para sempre? - a pergunta escapuliu de dentro de mim mais rápido do que eu pude imaginar e meu amor apenas soltou aquela gargalhada apaixonável do outro lado da linha do telefone.
- Mas é claro que eu vou - respondeu-me de imediato, fazendo um sorriso brotar no meu rosto.
- Promete que nunca vai me esquecer? - meu coração palpitante tinha tanto medo dessa resposta, que minha voz saiu fraquinha, quase que torcendo para não ouvi-la.
- É impossível esquecer você.
Um beijo doce, Alice.

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